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Archive for the ‘Caderno Gráfico’ Category

Momentos de Espera / Espaços de Espera

Outubro 3, 2009 Comentários desativados

O que é ‘esperar’? Onde ‘esperamos’? (Parte 1 de 3)

 

Suponho muitas vezes que esperar poderá ser aguardar a nossa vez. Aguardar por algo ou alguma coisa. Ao fim ao cabo poderá ser o estar adiantado, ou simplesmente, duas velocidades diferentes que necessitam tocar-se e por isso fazemos um compasso para nos sincronizarmos com algo ou alguém.

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Vejamos o exemplo de uma paragem de autocarro. É uma das coisas menos bem conseguidas numa cidade, no entanto também pela sua especificidade é extremamente difícil de qualificar. Talvez a questão não esteja em qualificar a paragem em si, mas o espaço que contém a paragem.

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Uma paragem é um ponto de encontro. Começou como uma marca virtual no espaço que com a urbanização do mesmo tomou forma, para localizar com definição esse ponto e para proteger os esperantes das intempéries. Entre a sua impessoalidade inerente, a apropriação momentânea das pessoas e a peculiaridade da sua forma, a Paragem ganhou uma linguagem própria, urbana, às vezes cosmopolita, que faz parte integrante da nossa cultura citadina.

Ao longo do seu tempo, entre tentativas da parte do Design, da Arquitectura e da simples Construção, penso que ainda não se chegou a uma solução coerente. Se por um lado algumas são peças de design fantásticas mas que falham na qualidade espacial que contêm, outras espacialmente são muito boas mas falham na estética. A simples Construção não tem poética, obrando uns ‘monos’ e o Design e Arquitectura muitas vezes falham no básico de construir. Elementarmente temos paragens feias, desconfortáveis e sólidas ou bonitas, desconfortáveis e que não protegem ninguém de uma chuvinha.

Algumas têm um banquinho: a pessoa senta-se. A maioria não prevê o uso por parte de tantas pessoas quanto a procuram: alguns ficam de fora.

O objectivo de pensar numa Paragem é conseguir atingir algo esteticamente bem integrado no espaço, confortável, protector e interessante. Alguma sugestão?

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Reparem na relação das pessoas com uma paragem. Ninguém quer estar ali. A ansiedade toma os mais inseguros (e também os atrasados) e também está ali uma velhinha que com tanta solidão vai dar uma volta de autocarro, sendo que o espaço predilecto é na paragem onde pode ‘meter’ conversa com um esperante. Há muitas emoções, ambíguas e até contraditórias, com comportamentos complexos, pelo que a sua análise e investigação por parte da Arquitectura revela-se interessante.

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Voluntários Em Movimento no Governo de Sócrates

Setembro 10, 2009 Comentários desativados

Após um periodo de pausa gostaria de colocar esta foto para vossa análise tendo em conta o seguinte:

a) O múmero de desempregados inscritos no Centro de Emprego passou a barreira dos 500 mil;

b) O jovens recém-licenciados estão em desespero, desempregados ou em exploração em locais como Call-Centers;

c) Os profisionais qualificados com mais de 40 anos são considerados ‘lixo’ quando são o elemento essencial de ligação de passagem de conhecimento e competências práticas aos mais jovens;

d) Os jovens que insistem em tentar entrar ou manter-se na sua área profissional são forçados a serem ‘VOLUNTÁRIOS’ no chamado “trabalhar para aquecer”.

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Notem que não sei para que serve esta ‘propaganda’ na carrinha, se para as eleições legislativas que se avisinham ou para as autárquicas de Lisboa (e para ser sincero não tensiono procurar saber) no entanto, tendo em conta a actual situação do país ao nível económico e do emprego, esta frase parece encaixar noutro contexto, com certeza para lá da intenção original.

Para além do gosto existe o Bom.

Junho 15, 2009 Comentários desativados

É curioso ver as reacções das pessoas quando observam um qualquer produto artístico. Entre o “-Não percebo nada!”, o “É tão bonito!” e o “-Até eu conseguia fazer isto!” vai-se fazendo uma abordagem ao que se vê e por ai se fica, sem se poder discutir. Porque os gostos não se discutem…

kandinsky

Hoje enquanto fazia uma limpeza de verão na estante do escritório encontrei algo muito interessante. Um caderno de apontamentos do tempo de liceu na disciplina de História da Arte. Fascinante o que eu escrevia.

Entre algumas questões e notas mais técnicas, surge-me a ‘Leitura do Objecto Artístico’, em tudo pertinente à questão sintomática supra abordada.

Antes de mais, objecto artístico será toda a produção artística materializada em qualquer tipo de suporte, sendo que as produções estão categorizadas em dois grandes grupos: As que são as concebidas e executadas pelo Homem; e as que não são concebidas pelo Homem, mas igualmente belas, tais como por exemplo um Quadro e um Pôr-do-Sol, respectivamente.

Então o que é ‘Ler’ um objecto artístico? Ler é observar e analisar com base em reacções emocionais e racionais.

A leitura Emocional/subjectiva é do domínio afectivo, onde a analise é feita com base em reacções próprias de carácter emocional, geralmente reconhecidas pelo “- Eu gosto!” e o “-Eu não gosto!”.

Ao passo que a leitura Racional /objectiva é do domínio cognitivo, onde a análise é feita com base no lugar cronológico, no significado, na função, na técnica usada, nos materiais aplicados, entre outros, que constituí uma plataforma de conteúdo de aprendizagem, e que reverte em “-É bom.” e no “-É mau.”

Portanto quando fazemos juízos meramente emocionais, apenas fazemos uma análise parcial daquilo que observamos. Não damos oportunidade para discutirmos todas as variáveis que nos são disponibilizadas, logo não estamos a aprender nada com aquilo que vemos não sequer conseguimos manter uma conversa com alguém sobre determinado objecto para lá da subjectividade.

Esta entrada surge após uma pequena análise de duas esculturas em “Cristo Morreu” e serve, em certa medida, para enquadrar aquilo que foi escrito. Para lá do gosto e da objectividade deve ficar a ideia de que qualquer produção artística do Homem é consequencia de fenómenos sociais, reflexo da mentalidade e das potencialidades da sociedade que a produziu, por isso não podemos cair no erro de comparar por comparar, mas de comparar para aprender e compreender de onde vimos e para onde vamos.

Frames – Visão Selectiva

Março 23, 2009 Comentários desativados

Frames ou molduras são a forma como vemos ou queremos ver o mundo.

O enquadramento é baseado nas experiencias, interesses e na sensibilidade. Como produção do nosso cerebro, por vezes não conseguimos controlar a ‘forma de ver’ a realidade à nossa volta. Tal como num estado de depressão, euforia ou paixão, o que ‘vemos’ não é bem aquilo que está à nossa frente. Escolhemos as partes ou excertos que nos interessam e fazemos o nosso juizo.

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‘A Felicidade está dentro de nós’ ou ‘A Beleza está nos olhos de quem vê’.

Clichês, mas também verdades. Ou então apenas ‘Frames’ da vida.

Watching The Sea

Fevereiro 6, 2009 Comentários desativados

passaroco 

Por haver uma grande diferença entre olhar para o mar e estar nele, digo-vos o seguinte: tudo na vida é dificil e o que não é, não o merecemos.

Segundo o que se diz, 2009 vai ser um ano dificil. Acredito que sim. Todos o dias há noticias de fabricas a fechar, empresas em recessão, pessoas a protestar, preços a aumentar, desempregados já são demais e o governo faz não sei o quê…

Mas atenção: não acreditem em tudo o que ouvem. Uma mentira repetida vezes sem conta não se torna verdade!

Estamos no tempo da exploração e da sacanagem. Tempo de grandes aproveitamentos, quer da situação (para quem pode), dos outros (e para ser mais rigoroso: da desgraça dos outros) ou até mesmo das bestialidades mentais que certas pessoas se lembram.

Um caso concreto é o de patrões que pedem (ops! exigem!) aos seus empregados (ops! escravos aos seus olhos) que façam esforços desproporcionados e por vezes humilhantes, apenas e só justificado pela “Crise”. Querem que se trabalhe mais dias da semana, que se ganhe o mesmo ou até menos (fixe, não é?) e os trabalhadores devem aceder, sob pena de aborrecer alguns meninos que apenas pretendem, com certeza, adquirir mais uma futilidade carissima.

É compreensível a reacção receosa por parte do trabalhador, pois, afinal de contas, não quer ficar desempregado e não sabe o que o espera lá fora. Mas caros amigos, não se deixem iludir, porque o ficar, o não arriscar, o ceder à exploração de cabiz baixo não leva a lado nenhum que não o da humilhação e o do pontapé do rabo quando o patrão já não estiver interessado em vocês.

Não estou a insentivar à revolta, ou à saída do vosso emprego, mas considerem definir limites a onde nem o vosso patrão consegue ultrapassar ou subverter.

Aguentem-se, colaborem, mas tenham limites e não se humilhem. Lembrem-se que isto do aproveitamento pode dar também para o vosso lado. A luta a travar agora definirá o vosso futuro quando a situação do nosso País melhorar! É a luta pelo respeito!

Não à escravidão dissimulada!

 

Tentem expandir os vossos horizontes: Watching The Sea.

Categorias:Caderno Gráfico

Efeitos Visuais Em Grande

Janeiro 9, 2009 Comentários desativados

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Este trabalho está muito bom. Por isso faço aqui uma nota de promoção. Não é meu.

Mais info e créditos: http://vimeo.com/1418995

 

É bastante incrível o que se consegue fazer com uma simples câmara. No entanto, deixa-me a pensar nas diferentes formas que uma câmara e o nosso registam o nosso meio. Nós somos o que somos e concebemos uma ideia do que é o nosso mundo e a realidade de acordo com aquilo que os nossos sentidos capturam. É nos de todo vedada a forma como os outros seres vivos experienciam a realidade, logo torna-se dificil entender comos eles concebem mentalmente a realidade deles.

Desde animais que vêem o mundo sem cores até aqueles que não vêem mas cheiram-no. Será possível tanta variedade de sensibilidade compatível como uma ideia comum de realidade?

Vejamos: se amanha acorda-se a percepcionar tudo como se vosse uma máquina fotográfica, que veria? Claramente parecido ao que vê agora, mas concentre-se nas diferenças. Em primeiro lugar não tem a capacidade de facil adaptação à luz como tem o olho humano, logo teria tendência para ver as coisas ou muito claras ou muito escuras, com contrastes claro escuro muito acentuados que não permitiriam observar pormenores nas transições entre graus de luminosidade. Tem também os flashes: você teria flashes? E mais engraçado: sensibilidade aos infravermelhos. O que quereria dizer que podia ver a luz emitida pelo comando remoto lá de casa de cada vez que fizesse zapping.

Com certeza teria as suas vantagens, mas realmente a sua “visão” da realidade seria bastante diferente da que tem agora. Isso mudaria algo em nós, mas de que forma?

Talvez da mesma forma como um cego “percepciona” o mundo.

Novo Album da DIDO: Safe Trip Home

Janeiro 9, 2009 Comentários desativados

Já há algum tempo que não ouvia a Dido. Parece que lançou um novo album.

Está diferente.

Deixo aqui o videoclipe do primeiro single lançado: Don’t believe in love

Vamos ver se ela corresponde às espectativas.

Don’t believe in love

Está disponível um canal oficial no Youtube com videos das músicas da Dido. Veja em http://www.youtube.com/Dido.

Já agora, a imagem de capa do novo album está fantástica. Será que a musica também?

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