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Para além do gosto existe o Bom.

Junho 15, 2009 Comentários desativados

É curioso ver as reacções das pessoas quando observam um qualquer produto artístico. Entre o “-Não percebo nada!”, o “É tão bonito!” e o “-Até eu conseguia fazer isto!” vai-se fazendo uma abordagem ao que se vê e por ai se fica, sem se poder discutir. Porque os gostos não se discutem…

kandinsky

Hoje enquanto fazia uma limpeza de verão na estante do escritório encontrei algo muito interessante. Um caderno de apontamentos do tempo de liceu na disciplina de História da Arte. Fascinante o que eu escrevia.

Entre algumas questões e notas mais técnicas, surge-me a ‘Leitura do Objecto Artístico’, em tudo pertinente à questão sintomática supra abordada.

Antes de mais, objecto artístico será toda a produção artística materializada em qualquer tipo de suporte, sendo que as produções estão categorizadas em dois grandes grupos: As que são as concebidas e executadas pelo Homem; e as que não são concebidas pelo Homem, mas igualmente belas, tais como por exemplo um Quadro e um Pôr-do-Sol, respectivamente.

Então o que é ‘Ler’ um objecto artístico? Ler é observar e analisar com base em reacções emocionais e racionais.

A leitura Emocional/subjectiva é do domínio afectivo, onde a analise é feita com base em reacções próprias de carácter emocional, geralmente reconhecidas pelo “- Eu gosto!” e o “-Eu não gosto!”.

Ao passo que a leitura Racional /objectiva é do domínio cognitivo, onde a análise é feita com base no lugar cronológico, no significado, na função, na técnica usada, nos materiais aplicados, entre outros, que constituí uma plataforma de conteúdo de aprendizagem, e que reverte em “-É bom.” e no “-É mau.”

Portanto quando fazemos juízos meramente emocionais, apenas fazemos uma análise parcial daquilo que observamos. Não damos oportunidade para discutirmos todas as variáveis que nos são disponibilizadas, logo não estamos a aprender nada com aquilo que vemos não sequer conseguimos manter uma conversa com alguém sobre determinado objecto para lá da subjectividade.

Esta entrada surge após uma pequena análise de duas esculturas em “Cristo Morreu” e serve, em certa medida, para enquadrar aquilo que foi escrito. Para lá do gosto e da objectividade deve ficar a ideia de que qualquer produção artística do Homem é consequencia de fenómenos sociais, reflexo da mentalidade e das potencialidades da sociedade que a produziu, por isso não podemos cair no erro de comparar por comparar, mas de comparar para aprender e compreender de onde vimos e para onde vamos.

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